PEÇAS EM DESTAQUE



Prato do Serviço dos Pavões
Porcelana Chinesa - Século XVIII

De forma oitavada, o prato é em louça branca, encaroçada, decorada em tintas de esmaltes nas cores da Família Rosa. Borda com quatro ramos postos em cruz e orla "rouge de fer", alternada com estilizações de ramos azuis. No campo, dois pavões sobre rochas e ramo com peônias, separados da borda por friso flordelisado.
A denominação "Serviço dos Pavões", é por apresentar esta louça estes animais como elemento principal na decoração.
Almeida Santos, no seu "Manual do Colecionador Brasileiro" diz: "Dentre os aparelhos de uso imperial, no Brasil, contam-se o dos "Galos" , dos "Pastores", da "Corsa" e dos "Pavões". O Serviço dos Pavões é o que há de mais fino em "Família Rosa" e foi feito, sem discussão, de encomenda para a Europa. Os "Pavões" são muito bem trabalhados. Aliás, a louça é por assim dizer,  um misto da "Família Verde" e "Família Rosa". Possui grandes rosas pintadas, o que força a classificação na "Família Rosa", mas a decoração geral é da "Família Verde", paisagens e aves".
Os serviços de porcelana chinesa de uso imperial, trazidos para o Brasil por D. João Príncipe Regente, foram dispersos após a proclamação da República, sendo atualmente peças raras.



Mendonça Filho


Manoel Ignácio de Mendonça Filho nasceu em Salvador no dia 20 de março de 1895. Ingressou como aluno na Escola de Belas Artes em 1917, aperfeiçoando seus estudos na Itália e na França, sendo premiado em várias exposições. Em 1931 tornou-se professor de desenho artístico da Escola de Belas Artes, chegando à direção da mesma em 1948. De concepção anti-acadêmica, pintou todos os gêneros da arte realista, revelando-se totalmente nas marinhas como o artista da cor. "Na criação de Marinhas realizadas principalmente em Salvador, Mendonça Filho libera todo o seu talento e liberdade de concepção. A sua pintura torna-se vibrante, luminosa. Uma marinha de Mendonça Filho é sempre um espetáculo visual gratificante, construído pelo poder da abstração artística, no processo de transformação do modelo natural. Cor, luz e matéria pictórica são os ingredientes de suas marinhas". Recebeu do poeta Menotti Del Picchia o título de "Mestre da cor e da Luz". Morreu em Salvador no dia 6 de novembro de 1964. (texto do catálogo do Museu Carlos Costa Pinto e do Catálogo Mendonça Filho 100 anos)



Cômoda-papeleira
A cômoda-papeleira é um móvel de guarda geralmente formado por três gavetões e duas gavetas, que serve para guardar roupas e pequenos objetos. Este móvel já é uma evolução da arca (caixa com tampo), que com o tempo foi sendo modificada e além da caixa, apareceram duas gavetas na parte inferior de sua estrutura.
No século XVII, nos Países Baixos, surgiu um outro móvel de guarda, composto, que era uma cômoda, acrescida na parte superior de um escritório com escaninhos, nichos e gavetinhas, e um tampo móvel, que passou a ser conhecido com cômoda-papeleira.
A cômoda-papeleira só se tornou comum em Portugal na segunda metade do século XVIII. As mais belas peças em jacarandá datam desse período, nos estilos D. João V e D. José I, apresentando grande detalhamento nos entalhes e ferragens. As de estilo D. Maria I, final do século XVIII, são retilíneas, com inscrustações, muitas delas construídas com "segredos", disfarçados entre os escaninhos, com a finalidade de ocultar documentos.
A cômoda-papeleira de tampo inclinado é um móvel muito importante no mobiliário luso-brasileiro, que continuou a ser produzida até o início do século XIX; foi o tipo de escrivaninha de uso doméstico, urbano e rural.
O acervo do Museu Carlos Costa Pinto possui dois belos exemplares de cômoda-papeleira do século XIX, em jacarandá, feitos na Bahia, e em deles encontra-se o "segredo"   (Texto do informativo do Museu Carlos Costa Pinto)


Leques: no passado linguagem de sedução e galanteria
Leques são acessórios de uso feminino, no ocidente há muito descartados pelos hábitos da sociedade moderna. Tiveram seu apogeu no período Vitoriano, final do século XIX e início do século XX. Originário provavelmente da China, o leque esteve presente na Índia, Pérsia, Egito, Grécia... Muitas lendas, ocidentais e orientais, existem em torno de seu nascimento. Era usado para amenizar o calor e afastar os insetos. Existiam os modelos grandes, manipulados por serviçais e os portáteis. Inicialmente rígidos, fixos, os leques de abrir e fechar - leques de varetas, criação japonesa, espalharam-se pela Europa a partir do século XVI. Objetos de luxo no século XVII, tornaram-se indispensáveis na indumentária feminina até a primeira metade do século XX. 
Em diversos modelos, materiais e decoração eram companheiros inseparáveis na arte da conquista. O seu manejo determinava uma linguagem própria, a linguagem dos leques. Um homem de sociedade distinguia a condição social de uma mulher pelo seu modo de manejar o leque. Linguagem da galanteria, sedução, agradável e sutil batalha de corações travava-se pelo delicado manejo dos leques que expressava as mais diferentes emoções. Infatigável e sempre presente na sociedade de outrora, quantas mensagens não jazem nesses belos objetos? Existiam códigos particulares e universais, onde cada posição representava uma letra ou frase. (Texto do informativo do Museu Carlos Costa into)


Serviço de Chá

Com a generalização do hábito de tomar chá e café, sobretudo no século XVIII, foram criados os serviços próprios para estas bebidas com três a cinco peças. Em Portugal o consumo do chá e café aumentou, principalmente nos reinados de D. José I e de D. Maria I. Consequentemente, no Brasil, o hábito foi também incrementado. Este serviço com decoração floral é característico da segunda metade do século XIX. (Texto do livro Prata da Casa: prataria luso-brasileira na coleção do Museu Carlos Costa Pinto)


Imperial Ordem da Rosa

Criada em 1829 para perpetuar a memória do segundo casamento de D. Pedro I do Brasil, a Ordem da Rosa parece ter nascido da impressão que ele teve ao ver D. Amélia desembarcar com um vestido enfeitado com rosas (versão do Visconde de Taunay) ou, segundo outros autores, a partir de retrato enviado da noiva a D. Pedro. Daí a presença da guirlanda , as letras "P" (de Pedro) e "A" (de Amélia) entrelaçadas e a legenda "Amor e Fidelidade". (Texto do catálogo Museu Carlos Costa Pinto)